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Trocar de psicólogo: posso? Como falar e quando insistir

Não gostou do seu psicólogo? Trocar de psicólogo é normal e não exige justificativa. Veja como falar, quando vale insistir e como achar outro encaixe.

Por Equipe Zelo · Publicado em · 6 min de leitura

Revisão clínica por psicólogo(a) com CRP: em andamento. Veja nossa política editorial.

Você marcou, foi, contou coisas difíceis e saiu com uma sensação estranha: “acho que não gostei”. Agora fica a dúvida: dou mais uma chance ou procuro outra pessoa? E como digo isso sem parecer grosseria? Essa é uma das perguntas mais comuns de quem faz terapia, e ela tem resposta.

Em resumo

  • Trocar de psicólogo é seu direito, a qualquer momento e sem justificativa.
  • Não gostar da primeira sessão é comum; entre 20% e 57% das pessoas não voltam para a segunda.
  • Uma sessão costuma ser pouco para julgar encaixe; duas ou três dizem mais. Mas desrespeito, julgamento ou quebra de sigilo não merecem segunda chance.
  • Uma mensagem curta resolve. Você não deve explicações a ninguém.
  • Trocar não custa nada além das sessões com o novo profissional.

Pode. Quem decide continuar ou parar de fazer terapia é você. Não existe número mínimo de sessões, fidelidade nem obrigação de “fechar ciclo” com quem não está funcionando para você. O que a ética da profissão pede ao psicólogo é respeitar sua autonomia e, se você quiser, indicar outro colega.

Isso também não faz de você um paciente “difícil”. Segundo pesquisa da Doctoralia com 3.400 pessoas, 12,9% dos brasileiros que pensaram em fazer terapia desistiram por dificuldade em escolher um profissional. Escolher é a parte mais difícil, e acertar de primeira não é a regra.

É normal não gostar da primeira sessão?

Bastante. Levantamentos acadêmicos brasileiros (PePSIC, PUCPR) e internacionais mostram que entre 20% e 57% das pessoas não aparecem na segunda sessão, e que mais da metade dos abandonos acontece nas três primeiras. Os motivos mais citados:

  • A primeira sessão pareceu uma coleta de dados, não uma escuta.
  • Ninguém explicou como a terapia funciona nem o que esperar das próximas semanas.
  • Você e o profissional tinham expectativas diferentes do que é terapia.
  • A pessoa cortou a sessão antes da hora, interrompeu você para falar da própria vida ou “não olhou na sua cara”.

Só o último item fala de postura; os outros são falhas de comunicação que uma segunda conversa pode resolver. Por isso vale separar “não gostei da sessão” de “não gostei da pessoa”. Para saber o que é normal, veja como é a primeira sessão com psicólogo.

Como saber se o problema é o profissional ou só falta de encaixe?

Não existe teste, mas dá para separar três situações.

Sinais de alerta que justificam sair na hora, sem segunda chance:

  • Julgamento moral, deboche ou sermão sobre suas escolhas.
  • Quebra de sigilo ou comentários sobre outros pacientes.
  • Promessa de “cura” em X sessões, venda de produtos, pressão para fechar pacote ou desconto. O Código de Ética do psicólogo veda prometer resultado e usar preço como propaganda.
  • Cobrança ou atraso frequentes sem aviso.
  • Conselhos religiosos, políticos ou de conduta que você não pediu.

Sinais de falta de encaixe, que são motivo legítimo para trocar, mas não dizem que a pessoa é má profissional:

  • Você não sente empatia pela psicóloga ou pelo terapeuta e não se sente à vontade para falar.
  • O jeito de trabalhar não combina com você: queria algo mais estruturado e recebeu escuta livre, ou o contrário.
  • Diferença de idade, gênero ou vivência que atrapalha a conversa.
  • Você sai das sessões sem entender para onde aquilo está indo.

Sinais de que pode ser a própria terapia funcionando, e que valem uma conversa antes de trocar:

  • Você sente desconforto ao tocar em assuntos que evitava.
  • Tem vontade de faltar justamente quando a conversa aprofunda.
  • Sente raiva ou frustração com o profissional depois de uma sessão difícil.

O terceiro grupo parece o segundo, e o que separa os dois é nomear o incômodo na sessão. Se você diz “não estou me sentindo ouvido” e recebe escuta e ajuste, é bom sinal. Se recebe defesa ou desdém, volta para o primeiro grupo. A pesquisa aponta exatamente isso como fator de continuidade: objetivos combinados cedo e resistência nomeada em vez de ignorada. Se nunca aconteceu na sua terapia, você pode pedir.

Como falar que quero trocar?

Você não precisa ir a uma última sessão para “terminar”. Uma mensagem basta e é o que a maioria faz. Três modelos:

Curto e direto “Oi, [nome]. Obrigado pelo atendimento. Senti que o formato não funcionou para mim e vou procurar outro profissional. Não tenho mais sessões marcadas, certo? Abraço.”

Quando você quer dar a chance de ajustar “Oi, [nome]. Queria ser honesto: nas últimas sessões saí com a sensação de não estar sendo ouvido / de que não estamos indo a lugar nenhum. Podemos conversar sobre isso na próxima?”

Quando houve algo que te incomodou “Oi, [nome]. Na última sessão me senti julgado quando falamos de [assunto]. Por isso prefiro encerrar aqui. Obrigado.”

Nenhum deles pede desculpa nem justifica além do necessário. Um bom profissional responde com respeito e, se você pedir, indica um colega. Se a resposta for cobrança emocional ou insistência, você acertou em sair.

Se o caso é o contrário, “meu psicólogo desistiu de mim”, saiba que o Código de Ética (art. 1º, alínea h) pede que o psicólogo oriente sobre os encaminhamentos apropriados: peça por escrito a indicação de outro profissional.

Quando vale insistir?

Vale dar mais uma ou duas sessões quando:

  • Foi só a primeira sessão e o incômodo foi “não aconteceu nada”, não “aconteceu algo ruim”.
  • Você nunca disse ao profissional o que está sentindo sobre a terapia.
  • O desconforto começou quando o assunto ficou difícil.
  • Você quer algo diferente do combinado (mais estrutura, outra frequência, outro foco). Isso se ajusta sem trocar.

Não vale insistir quando:

  • Houve desrespeito, julgamento ou quebra de sigilo.
  • Já são meses, está caro e você não entende o que mudou. Perguntar “para onde estamos indo?” é legítimo; se a resposta não convence, trocar é razoável.
  • Você já pediu ajuste e nada mudou.

Se você está em crise, com pensamentos de se machucar ou de não querer mais viver, não espere achar o encaixe perfeito: ligue 188 (CVV, gratuito, 24 h) ou procure um CAPS ou a UPA mais próxima.

Não existe taxa de troca. O custo é o das sessões com o novo profissional. Para referência, faixas publicadas por plataformas e agências em 2026 ficam entre R$ 60 e R$ 150 na sessão online e entre R$ 150 e R$ 220 na presencial (com casos de R$ 120 a R$ 400), com variação grande por cidade e formação. Detalhes em quanto custa um psicólogo em 2026.

Três coisas evitam surpresa:

  1. Pergunte o valor antes de marcar. Muita frustração nasce de agendar “no escuro”.
  2. Confira a política de cancelamento do profissional antigo e avise com antecedência se tinha sessão marcada.
  3. Se usa plano ou reembolso, veja se o novo profissional aceita o convênio ou emite recibo (plano de saúde cobre psicólogo?).

O que você contou fica com o profissional anterior, sob sigilo. O novo só sabe o que você decidir contar de novo ou autorizar por escrito (o psicólogo pode contar meus segredos?).

Como escolher melhor da segunda vez?

O erro mais comum é repetir o critério da primeira vez: quem estava disponível, quem era mais barato, quem a amiga indicou. Use o que você aprendeu:

  • Nomeie o que não funcionou. “Muito silêncio”, “muita técnica”, “queria tarefa para casa”. Isso vira critério.
  • Olhe como a pessoa descreve a própria sessão. Abordagens diferentes produzem sessões bem diferentes; veja como é a sessão em cada abordagem.
  • Pergunte antes de marcar. Valor, frequência, formato, como é o começo. Quem responde com clareza por mensagem tende a ser claro na sessão.
  • Decida o formato. Se deslocamento ou agenda pesaram na primeira tentativa, o atendimento online é regulamentado pelo CFP; veja terapia online funciona?.
  • Cheque o CRP. Nome completo e número devem estar visíveis e são fáceis de conferir no Cadastro Nacional de Psicólogos do CFP (cadastro.cfp.org.br).

Próximo passo

Se você decidiu trocar, tudo bem: não encaixou, e isso acontece com muita gente. No Zelo, cada psicólogo descreve como é a sessão com ele, em linguagem simples, com valor por sessão, formato e CRP verificado. Você compara pelo que importou na sua experiência e fala direto com o profissional.

Antes disso, dois artigos ajudam: como escolher um psicólogo: 7 critérios que importam e quantas sessões de terapia são necessárias, para alinhar expectativa desde o início.

Este conteúdo é informativo e não substitui atendimento psicológico. Em situação de crise, ligue 188 (CVV) ou procure um CAPS ou UPA.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação ou atendimento psicológico. Se você está em sofrimento intenso ou pensando em se machucar, ligue 188 (CVV, 24 h) ou procure o CAPS ou a UPA mais próxima.

Quer encontrar um psicólogo pela forma como ele trabalha?

O Zelo explica como é a sessão com cada profissional — sem siglas — e coloca você em contato direto. O diretório está em construção; enquanto isso, o guia é gratuito.

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